domingo, fevereiro 05, 2006

Cabelo, cabeleira, cabeluda, escabelada

Qual mulher não cresceu ouvindo dizer que homem gosta mesmo é de mulher com cabelo comprido? Eu pelo menos absorvi esta idéia seja através de conversas com outras mulheres ou pela mídia, que cansou de mostrar resultados de "pesquisas" que comprovam esta tese.
Sempre tive cabelão. Não sei quando comecei a não querer mais cortar, mas quando tinha idade suficiente para racionalizar sobre meus cortes de cabelo, estava convencida de que, cultivar longas madeixas, era preciso. E meu cabelo e eu (quase) sempre nos entendemos bem. Mesmo quando na adolescência eu insistia em passar escova num cabelo crespo e ele reclamava ficando espigado, eu também podia usá-lo como escudo para o mundo. Tímida, era só soltar os cabelos sobre o rosto e "pluft" desaparecia. Pelo menos, era como me sentia.
E cabelão era o que combinava comigo na minha fase mais riponga, afinal, só uma vastidão de fios pra suportar tererês, faixas coloridas e brincos de pena, tudo ao mesmo tempo, mantendo uma certa discrição.
Mas ano passado resolvi mudar minha vida e o que estava ao meu alcance, naquele momento, era, nada mais nada menos, que o cabelão. Até meu cabeleireiro, que passou um ano implorando para que eu o deixasse cortá-lo bem curtinho, ficou assustado com meu pedido pra passar a tesoura. Confesso que foi difícil me adaptar a minha nova imagem. Além da insegurança que esta mudança radical causava, ainda tinha (na verdade, tenho) que passar pelo constrangimento das pessoas não me reconhecerem mais.
O fato é que, alguns meses depois, eu nem me lembro mais do que é ter cabelão. Completamente adaptada, me acho mais bonita. E pela primeira vez em 24 anos de existência, ouvi homens elogiando meu cabelo! Quando eu tinha cabelão, só um menino o elogiou, mas na verdade, ele me achava parecida com a Gal Costa, então, o elogio saiu pela culatra...
Hoje, os caras até me param pra falar do meu cabelo, veja só! E não são gays! São homens que gostam de mulheres. E eu, com tanto reconhecimento, me sinto sexy e moderna! A vantagem estética que considero mais preciosa em ter cabelo curto são que o pescoço e as costas aparecem e, vamos combinar, são um dos pontos mais erógenos da mulher. O que faz um beijo na nuca, não?
Pensando nestes últimos acontecimentos, que contradizem tanto com a imagem que eu fazia sobre o pensamento masculino, resolvi fazer este pequeno texto. Quem sabe instigo algumas meninas a reverem seus conceitos?

2 Comments:

Blogger Dany Franco said...

Oi, Dê!!! Poxa, que legal, não sabia que tu tinhas um blog! Adorei o teu post e me identifiquei totalmente. Tem gente até hoje que me cobra por ter cortado meus cabelos, que chegavam na metade das costas... E agora não consigo mais me imaginar sem ser de cabelo curto. Meu irmão que diz que cada vez que me vê eu estou mais careca... hehehe... Mas eu também sou do grupo que acha que tu ficou bem mais bonita assim. Ah, vou te linkar no meu blog! beijão!!!

9:12 AM  
Anonymous Anônimo said...

Adorei esse texto!Uma leitura muito gostosa. É incrível como o cabelo exerce um papel determinante na imagem que temos de nós mesmos e na das pessoas em relação a nós.
Sou do time que adorou a mudança!!
Bj!

Lu

8:59 AM  

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